Bravo coração esquecido

Enquanto a chuva escorre lentamente pela parede da sacada, ele se põe a pensar.
Pensa sobre tudo – pensa até demais. Está certo de que ali é o seu lugar.

Antes, espiava pela fechadura para se certificar do melhor momento para sair.
Agora, espera pacientemente que o futuro o surpreenda. Que o imprevisível o atraia.

As nuvens cinzentas parecem brincar com aquela mente que reluta em dar um sinal sequer. Quer que pensem que é igual as gotas gélidas que batem e morrem na janela de seu quarto.

Em sua cruzada, foi o soldado mais forte – também o mais solitário.
Perdeu todo tipo de coisas, mas o que realmente lamenta-se que tenha perdido é invisível aos olhos.

Ingênuo, acha que a imprevisibilidade e dureza farão dele um ser eterno. Mal sabe que, por mais honrado que seja, um homem só se perpetua quando deixa de ser um e passa a ser dois. Afinal, de que vale um bravo coração esquecido?

“Levanta e te sacode! Espanta essa frieza que envolve a ti mesmo.
Sai por aquela porta que tem um mundo lá fora. Vai que tem teu mundo em alguém!
Corre… A efemeridade não é tua aliada.”

Atenciosamente,
A remetente.

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